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Uma Paris nada romântica
abril 25, 2008, 3:55 am
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Marion e Jack viajam pela Europa para comemorar seu relacionamento. Em sua estada em Paris, passam por um processo de auto-conhecimento que pode mudar a idéia que um tem do outro e do próprio amor que sentem

Um casal vive um ótimo relacionamento até que algo diferente/ruim acontece e eles acabam se afastando. Após um período de separação, eles se reencontram, percebem que não podem viver um sem o outro, reatam e vivem felizes para sempre.

Você com certeza já deve ter visto vários filmes assim. Há quem diga, inclusive, que as comédias românticas são sempre iguais, com seus questionamentos sobre relacionamentos e a busca pelo eterno amor. Mas aí vem a pergunta: dá para ser diferente?! Os filmes podem até variar na maneira de contar, mas no fim das contas não podem prescindir de particularidades do gênero, a exemplo dos finais felizes que chegam como bonança após tempestades.

E nessa variação do “como” temos Jack (Adam Goldberg), um decorador americano, e Marion (Julie Delpy, que também assina o roteiro e a direção), uma fotógrafa francesa que tem buraquinhos na retina. Morando juntos há dois anos em Nova York, eles decidem fazer uma viagem pela Europa para celebrar a – para padrões atuais, segundo a narradora – longeva união. Antes de retornarem para casa, resolvem passar doisdias na França com os pais dela.

Ao chegar a Paris, a diferença de comportamento entre franceses e americanos é um dos primeiros alvos das intensas discussões que permearão toda a fita. Sob o tom de “é clichê, mas é verdade”, uma série de aspectos vem à tona nos diálogos rápidos e intensos.

Em certos momentos do filme 2 Dias em Paris, era possível perceber comentários na sala do tipo ‘o que esses dois estão fazendo juntos?’. Tal reação se deve ao comportamento hipocondríaco de Jack, ao menos em parte, e às disparidades entre ele e Marion. Apesar disso, momentos clichê com declarações de amor e busca de conhecimento do outro também estão presentes na relação do casal. Durante esses dois dias, muitos conceitos serão revistos, bem como o próprio relacionamento, que passará por um revés.

À primeira vista, o cenário europeu, o clima road movie e a coincidência da atriz que interpreta a mocinha lembram bastante os filmes Antes do Amanhecer (1995) e Antes do Pôr-do-sol (2004), do diretor Richard Lindklater, no quais Julie Delpy interpreta Celine. Essa sensação de Déjà vu permeia todo o filme de Delpy, que une o conhecer uma cidade e o conversar, a exemplo dos de Lindklater.

Assim, tudo o que se passa na tela tem uma enorme propensão a ser discutido, dissecado, com muito humor é verdade, mas por vezes cansativo. As conversas, que dada a variedade temática parecem grandes esquetes, têm como foco os relacionamentos humanos e a necessidade deles na vida das pessoas. No entanto, falta ao roteiro de Delpy um pouco de simplicidade e leveza, o que não chega a prejudicar o andamento das coisas, mas tira um pouco do lirismo que até mesmo situações controversas podem ter.

Com um ritmo acelerado de imagens, um dos pontos altos do filme fica a cargo da trilha sonora. E Delpy, além de atuar, roteirizar e dirigir, também está presente nesta parte do filme. Sons clássicos e eletrônicos se misturam, intercalados por hiatos significativos, haja vista o som do silêncio ouvido durante a cena final.

Texto: Georgia Cruz

Fonte: Jornal O Povo




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