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Mostra de Cinema Contemporâneo Asiático
setembro 14, 2008, 11:52 pm
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Restritos ao circuito de festivais de cinema nacionais e internacionais, os mais inventivos e radicais filmes asiáticos contemporâneos ainda permanecem desconhecidos para boa parte do público que frequenta as salas comerciais de cinema no Brasil. De 22 a 26 de setembro, sempre às 19h, o cineclube Cinemaginário organiza uma mostra de cinema contemporâneo asiático, com cinco longas-metragens que serão exibidos na Casa Amarela Eusélio Oliveira. O cineclube faz parte do Laboratório de Estudos e Experimentações em Audiovisual (LEEA) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A mostra reúne produções realizadas no período de 2002 a 2004, quatro delas ainda não exibidas no circuito comercial brasileiro. São filmes de cinco cineastas de países distintos: Jia Zhang-ke (China), Hou Hsiao-hsien (Taiwan), Naomi Kawase (Japão), Wong Kar-wai (Hong Kong) e Apichatpong Weerasethakul (Tailândia). A opção por longas-metragens mais recentes – do início do século XXI – pretende reafirmar a força e a singularidade do cinema asiático que está sendo feito hoje.

A mostra começa na segunda (dia 22) com Prazeres Desconhecidos, do cineasta chinês Jia Zhang-ke, conhecido pela crítica internacional como um dos principais diretores internacionais que melhor consegue realizar uma crítica às transformações sócio-econômicas na China contemporânea, com o capitalismo avançado e a globalização. Na terça (dia 23), será exibido Café Lumière, do taiwanês Hou Hsiao-hsien, o cineasta da mostra com filmografia de maior envergadura, que já perdura por trinta anos de experiência.

Em seguida (quarta, dia 24), é a vez de Shara, da japonesa Naomi Kawase, cuja obra é marcada por uma sensorialidade, um turbilhão de afetos que atravessam seus filmes e que, de certa forma, traduzem a força que há na vida. Na quinta (dia 25), o filme exibido será 2046, do cineasta de Hong Kong, Wong Kar-wai, o único da mostra que já circulou nas salas comerciais de cinema do País. A mostra termina na sexta (dia 26), com Mal dos Trópicos, do tailandês Apichatpong Weerasethakul, dono de uma filmografia doce e, ao mesmo tempo, enigmática.    A curadoria da mostra de cinema asiático contemporâneo é da jornalista e mestranda em Comunicação, Camila Vieira, que pesquisa a sensorialidade na filmografia de alguns cineastas contemporâneos asiáticos, como Apichatpong Weerasethakul, Hou Hsiao-hsien e Tsai Ming-liang.

SERVIÇO
Mostra de Cinema Asiático Contemporâneo – De 22 a 26 de setembro, às 19h, na Casa Amarela Eusélio Oliveira (Av. da Universidade, 2591, Benfica). Realização: Cineclube Cinemaginário, do Laboratório de Estudos e Experimentações em Audiovisual (LEEA) da UFC. Entrada franca.

PROGRAMAÇÃO

DIA 22 – PRAZERES DESCONHECIDOS (Ren Xiao Yao, 2002, 113 min.) – Jia Zhang-ke
Co-produção: China, Japão, Coréia, França. Numa China que, ao mesmo tempo, flerta com a globalização e se mantém resistente ao processo de modernização, dois jovens desempregados Xiao Ji e Bin Bin passam os dias perambulando pela cidade com suas motos, paquerando e jogando conversa fora nos bares do vilarejo onde vivem, no extremo norte do país, não muito longe da Mongólia. Enquanto Xiao Ji apaixona-se pela dançarina e modelo Qiao Qiao, Bin Bin está prestes a perder a namorada, que deseja ir embora para Pequim.

DIA 23 – CAFÉ LUMIÈRE (Kôhî jikô, 2003, 103 min.) – Hou Hsiao-hsien
Co-produção: Taiwan, Japão. Filme concebido em homenagem ao cineasta japonês Yasujiro Ozu, que teria completado 100 anos em 2003. Yoko, escritora free-lancer que dá aulas de japonês em Taiwan, volta ao Japão e reencontra seu amigo, Hajime, dono de um sebo de livros e apaixonado por trens. Hajime a ajuda em uma pesquisa musical. Além disso, Yoko decide visitar seu pai e sua madastra, e lá anuncia que está grávida e que pretende criar o bebê sozinha.

DIA 24 – SHARA
(Sharasojyu, 2003, 100 min.) – Naomi Kawase
Produção: Japão. No dia de uma festa em Nada, antiga capital feudal do Japão, o pequeno Kei desaparece e não volta mais para sua família. Cinco anos depois, seu irmão gêmeo, Shun, se dedica à pintura e tenta fazer o retrato do irmão, que não consegue esquecer.

DIA 25 – 2046 (2004, 129 min.) – Wong Kar-wai
Co-produção: China, Hong Kong, França, Alemanha. O escritor Chow Mo-Wan retorna a Hong Kong para escrever um romance. Ao se hospedar num hotel barato, ele inicia uma série de relações amorosas com quatro diferentes mulheres que se hospedam no quarto 2046, que fica em frente ao seu. Enquanto isso, marcado pelas lembranças dos anos que passou em Cingapura, Chow escreve uma história de ficção científica chamada “2046”.

DIA 26 – MAL DOS TRÓPICOS (Sud Pralad, 2004, 118 min.) – Apichatpong Weerasethakul
Co-produção: Tailândia, França, Alemanha, Itália. A relação amorosa entre o soldado Keng e o operário de uma fábrica de gelo Tong, que passam o tempo entre passeios pela cidade e reuniões em família. Quando as vacas da região começam a ser decapitadas por um animal selvagem, Tong desaparece. A lenda diz que um xamã pode se transformar em animal selvagem. Keng parte então sozinho para a floresta.